A algumas primaveras atrás, ocorreram muitas crises financeiras. Na América latina o primeiro a entrar foi a Argentina, mais alguns anos e países como é Portugal, Irlanda, Espanha e a Grécia. Mas as pessoas realmente não sabem como ocorreu a crise, principalmente na Europa. Irei lhe explicar o que ocorreu na Grécia que foi o primeiro a sentir o medo da falência total.
No país de Platão, os a crise tomou proporções violentas, os protestantes atearam fogo numa agencia bancaria, matando 3 pessoas. Alem de greves em aeroportos, escolas e hospitais, tudo isso contra o pacote do governo. Nos últimos 10 anos o governo fez empréstimos e gastou pesadamente, quando estourou a crise financeira mundial a Grécia se viu numa péssima situação.
Os países tem o estado que fazem os gastos para as funções do próprio estado. O dinheiro para tais gastos vem da cobrança de impostos da sociedade, mas o dinheiro vindo dos impostos não é suficiente para suprir os gastos do estado.
No caso da Grécia, como ocorre em muitos países, o país pede empréstimos ao banco central para que possa fazer suas funções, por sua vez, o dinheiro que vem dos bancos não pertence a eles e sim ao publico, que empresta esse dinheiro ao banco por que ganha uma taxa de juros de 2,5%, o banco gasta uma taxa desse dinheiro e empresta o restante à Grécia retornar o dinheiro as funções de estado. O fato de a Grécia pedir dinheiro emprestado implica que em algum momento terá que aumentar os impostos, para devolver o dinheiro ao banco mais os juros, até então não há nada de errado, pois o mundo sempre funciona assim em todos os países.
Supondo que a Grécia gasta dinheiro exageradamente e vai pedindo empréstimos ao banco, chega um momento em que o banco não dá mais dinheiro para a Grécia pelo fato do banco não estar mais sendo pago, ou a Grécia estando com problemas para pagar os juros, mas caso a Grécia não devolve o dinheiro ao banco, o banco não retorna o dinheiro ao publico, e assim o banco vai ter que repor do bolso dele tendo prejuízo. O risco da Grécia aumenta, acontecendo com que os investidores, ou seja, o publico pare de emprestar dinheiro que é destinado à Grécia.
Já que o publico parou de investir na Grécia por estar em risco, o país procura outro tipo de investidor, o investidor de risco. O investidor de risco empresta dinheiro ao país em risco, mas com uma alta taxa de juros, com a medida que a Grécia vai aumentando as despesas, os custos de financiamento aumentam também. Existe outra alternativa quando um país sofre um grande risco que é o banco contratar um seguro de crédito, o seguro de crédito funciona como o seguro de um carro por exemplo, se acontecer um evento de que a Grécia não pague, o seguro cobre, assim o banco tem dinheiro necessário para retornar os depósitos tomados do publico, o custo do seguro é a diferença entre o custo dos investimentos de risco e os investidores públicos, ou seja, o custo final acaba sendo o mesmo, mas a Grécia pega pois é a única alternativa que lhe resta.
Supondo que os gastos da Grécia continuam aumentando, mantém o mesmo mecanismo, pegando dinheiro dos investimentos arriscado ou do seguro de crédito, enquanto aumenta a demanda os juros dos investidores e do seguro de crédito também aumentam justo com os custos e as despesas da Grécia, portanto aumentando o risco. A divida grega chegou a valer 7% ao ano, o que é um absurdo comparado aos históricos financeiros europeus.
Os fundos de cobertura pegam dinheiro dos bancos centrais e do seguro de crédito para fazer dinheiro destinado a Grécia, para a Grécia continuar gastando, é um ótimo negocio aos fundos de cobertura porque eles pagam 4% e aplicam 6%.
Toda essa bola de neve ocorreu porque a Grécia gastou excessivamente, se o país não gasta a mais do que pode, os investidores de risco não são convocados pelo próprio país aplicando seus juros altíssimos, os seguros de créditos desenvolvidos para a Grécia, puxando a taxa de juros a níveis que impossibilitam a Grécia de pagar e assim formando a crise.
Em algum momento a situação irá se resolver. Ou para bem, tudo volta ao normal, ou para o mal. Para isso analisamos uma questão básica:
Existe o potencial de geração de riqueza de uma família e o seu nível de vida, é necessário um equilíbrio entre eles. Tem famílias que possuem a geração de riqueza maior do que o nível de vida; essas famílias poupam, elas têm dinheiro. Tem famílias que é ao contrario; tem um maior nível de vida do que geração de riqueza, essa família visa dinheiro e acaba tendo dividas para poder pagar o nível de vida que ela tem. A família que tem dinheiro se chama China e a das dividas EUA.
Existem países que possuem a geração de riqueza muito inferior ao nível de vida, para manter esse nível de vida a não ser contratar dividas, mas em algum momento essa capacidade de contrarar dividas de financiamento acaba. Então é necessário que uma nova realidade seja implantada para que haja equilíbrio. Para isso a riqueza deve aumentar e a divida vai diminuir. A forma mais fácil é através de uma desvalorização no nível de vida, isso faz com que as pessoas acordem mais pobres e com menos dividas. Com pessoas mais pobres a mão de obra fica mais barata, então esse pais começa a exportar mais, aumentando a riqueza e equilibrando tudo novamente.
Na Grécia o nível de vida é igual o da Alemanha, mas é como se a riqueza gerada fosse igual a da Bolívia, com todo o respeito, obviamente essa situação não pode se manter por muito tempo. A desvalorização é inaceitável para um país que esta na UE, então a Grécia esta com um cambio fixo similar a da Argentina no ano 2000. Os gregos criaram o ajuste clássico, pois a desvalorização esta fora de questão, e como se produz esse ajuste clássico? O estado reduz os gastos públicos e aumentam os impostos, isso gera: recessão, desemprego e salários mais baixos, só para que o nível de vida diminui. Por outro lado vai ter que ter um aumento na riqueza, aumento de produtividade, reformas e investimento. A parte da queda do gasto publico é relativamente fácil, agora a outra parte é difícil e leva bem mais tempo.
A solução da Grécia não é que chegue aos 80 ou 90 bilhões de euros de ajuda, mas a solução é que aquele equilíbrio entre a geração de riqueza e o nível de vida volte aonde à capacidade de renda seja superior aos gastos. Esses 80 bilhões do pacote financeiro servem para que a Grécia pague os juros, empréstimos, dividas e pagar as despesas operacionais até que esse processo de equilíbrio esteja restabelecido. Se esse desequilíbrio que ocorre, por mais dinheiro que coloque agora daqui a alguns meses ou anos esse mesmo problema estará de volta e mais agravado ainda.
A grande questão e se a Grécia vai conseguir diminuir o custo do nível de vida para depois aumentar a geração de riqueza. Eu não conheço nenhum caso de ajuste clássico que tivesse dado certo em uma situação tão agravante assim. Se os países europeus, juntamente com o FMI e o banco mundial, façam com que a Grécia se ajuste sem a desvalorização será uma novidade, mas se a situação se tornar insuportável algum problema serio nós teremos aqui, pois irá acontecer o mesmo que ocorreu na argentina no ano 2000. O governo ficou sem dinheiro para pagar nada e não podia emitir. A solução em curto prazo foi que cada província começou a emitir o seu próprio dinheiro, achando um jeito jurídico que permitisse. Exemplo o Lecop, que era emitido pelo banco nacional da Argentina (espécie de bando do Brasil) em nome de um fundo o que é um absurdo tanto em questões econômicas quanto jurídicas. Mas funcionou! Porque o estado conseguiu pagar as despesas e os salários com isso. Os devedores do estado ou aceitavam isso ou não tinham nada, e assim começou a circular esse dinheiro, mas obviamente que ele valia menos que um peso de verdade.
O plano amargo aumentar os impostos, congelar salários e elevar a idade mínima para a aposentadoria para diminuir o déficit de 13 para 3%. As dividas do país superam os 300 bilhões de euros, 120% do PIB. Alem da Grécia Portugal, Itália, Irlanda e Espanha, os chamados PIGS. Na maior crise da historia do euro, a Grécia ameaça também a economia européia. Isso demonstra que o euro não é suficiente para salvar os países do bloco da falência.
Se a Grécia falir poderá contagiar seriamente a Europa, não só porque ela deve aos bancos da região, mas é a unidade da zona euro que esta
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